Campanha da Fraternidade

Josilton Tostes dos Santos
A Campanha da Fraternidade de 2014 traz a Carta aos Gálatas 5,1: “É para a liberdade que Cristo nos libertou”. Seu Tema é: Fraternidade e Tráfico Humano, e o Lema: Para liberdade que Cristo nos libertou. Uma palavra atual, fazendo refletir sobre a liberdade. Necessária para o amadurecimento humano, onde Deus a dispõe como ato livre da humanidade para fazer suas próprias escolhas e, naturalmente experimentar suas consequências positivas ou negativas. Aliás, é exclusivamente para a liberdade que Cristo assumiu a condição humana. Neste contexto, a Campanha da Fraternidade nos leva a refletir, identificar, atuar com dinamismo para proporcionar essa liberdade ao homem e à mulher. O tráfico humano é uma realidade presente em nossos dias, bem mais do que possamos imaginar! Ele é uma violação da dignidade, sendo necessário denunciar tais estruturas causadoras, papel de toda a sociedade. “É para a liberdade que Cristo nos libertou” e reivindicar junto aos Poderes Públicos é um modo de inibir os elementos responsáveis, além, é claro, da reinserção das pessoas atingidas por essas ações. O cristão não deverá ficar apático diante desta realidade, ações de prevenção, conscientização e medidas de solidariedade são essenciais. A palavra de Deus é luz para o caminho da Jerusalém celeste. Estar em Cristo é buscar a conversão, é celebrar o mistério da sua morte e ressurreição, é tornar-se sensível a essa realidade do tráfico humano, que interrompe o processo natural da vida humana. É uma situação alarmante no país e no mundo, levando homens, mulheres, jovens e crianças a trabalhos forçados, à marginalidade, ficando expostos a vulnerabilidade, inclusive toda espécie de opressão. Segundo a ONU, o tráfico de pessoas movimenta em torno de 32 bilhões de dólares, desse valor, 85% provém da exploração no campo da sexualidade. Daí a importância de identificar as causas do tráfico de pessoas, apontar suas ações, reivindicar medidas dos governos, empenhar-se em mudanças de pensamento, buscar mudanças nas legislações para coagir este tráfico humano. Neste ano da Copa do Mundo, que o grito de gol não seja ensurdecedor desta realidade do tráfico humano, mas que se comemore também ações inibidoras desta triste realidade inescrupulosa. “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). Fontes: Site da CNBB, Editora Melhoramentos e Bíblia de Estudos da Ave Maria.

O Evangelho de Marcos

Renato Merigue Rodrigues

Marcos não foi um dos doze apóstolos mas,  discípulo destes, especialmente de Pedro, que o chama seu filho (cf. 1Pd 5, 13), talvez porque o tenha batizado.

            S. Marcos foi companheiro de S. Paulo no começo de sua primeira viagem missionária (cf. At  13,5), mas não prosseguiu até o fim (cf. At 13,3). Por isto o Apóstolo não o quis levar em sua segunda expedição missionária (cf. At 15, 37-40). Todavia, Marcos reaparece como colaborador de São Paulo no primeiro cativeiro romano do Apóstolo (cf. Cl 4,10; Fm 23s); no fim da vida São Paulo lhe fez um elogio: “é-me útil no ministério” (2Tm 4,11). Há quem veja em Mc 14,51 uma alusão ao próprio Marcos.  

            A tradição lhe atribui a redação do segundo Evangelho. A propósito, o testemunho  mais importante é o de Pápias (+135), bispo de Hierápólis (Ásia Menor), de grande autoridade:

            “Marcos, intérprete de Pedro, escreveu com exatidão, mas sem ordem, tudo aquilo que recordava das palavras e das ações do Senhor; não tinha ouvido nem seguido o Senhor, mas, mais tarde..., Pedro. Ora, como Pedro ensinava adaptando-se às várias necessidades dos ouvintes, sem se preocupar com oferecer composição ordenada das sentenças do Senhor, Marcos não nos enganou escrevendo conforme se recordava; tinha somente esta preocupação: nada negligenciar do que tinha ouvido, e nada dizer de falso” (cf. Eusébio, História Eclesiástica III, 39, 15).

            Marcos escreveu não para judeus, mas para pagãos convertidos ao Cristianismo. Mais precisamente, podemos dizer que os pagãos convertidos para os quais Marcos escreveu, eram latinos; embora o grego fosse a língua comum do Império Romano e o latim fosse o idioma próprio de Roma e do Lácio.

            O evangelho de Marcos deixa a impressão de ter escrito por alguém que havia presenciado os fatos descritos, sem floreios.

            Ele narra uma série de milagres para tornar conhecido o Filho de Deus. Mostra a impressão causada pelos milagres e o respeito por Jesus  que despertam. É o agir do homem Jesus que é apresentado, mas de tal modo que, após a leitura, se deve confessar: “Este homem era realmente o Filho de Deus” (Mc 15,39).

            Esse segredo, porém, só aparece em plena luz no fim do evangelho: no mistério da Cruz. E quem o reconhece por primeiro?

            O evangelho, além disso, fala muito da Igreja, do chamado e da missão dos apóstolos, exigências para quem quer seguir a Cristo. “O Reino de Deus está próximo; fazei penitência” (Mc 1,15).

            Finalidade deste evangelho: mostrar que Jesus é o Filho de Deus. Marcos escreve para judeus e pagãos. Ele se adaptou aos tempos. Explica os costumes e as expressões judaicas.

            Resumindo: Marcos é um vivo historiador dos fatos, o qual mostra a judeus e gentios que Jesus é o Filho de Deus.

 

Fonte: Curso Bíblico Mater Ecclesiae

           D. Estevão Bettencourt, OSB

           Maria de Lourdes Corrêa Lima

           Bíblia Sagrada Ave Maria - edição de estudos.

As Profecias de Fátima (verdades e mitos)

Carlos Alberto Correa

Depois dos acontecimentos dramáticos e cruéis do século XX, um dos mais tormentosos da história do homem, com o ponto culminante no cruento atentado ao Papa João Paulo II - doce Cristo na terra­ -, abriu-se o véu sobre a realidade das profecias de Fátima. A mentalidade atual, eivada de racionalismo, foi sacudida pela dimensão espiritual das mensagens de Fátima, com seu veemente apelo à conversão e à penitência.

            Não foi revelado nenhum grande mistério, nem o véu do futuro foi rasgado, mas a Igreja dos mártires do século que findava, ficou estarrecida frente à 3ª. Profecia que previra o atentado contra o Papa. As duas profecias anteriores que faziam referência a uma grande catástrofe mundial e o imperialismo da Rússia, foram confirmadas com a II Guerra Mundial e o domínio de Rússia que se estendeu a muitos países europeus. A Irmã Lúcia, vidente que sobreviveu aos outros dois, já havia escrito uma carta ao Papa em 1944, por ordem da própria Virgem e orientação do Bispo de Leiria, sobre a 3ª. Profecia. Esta carta estava guardada no Vaticano, somente de conhecimento do Papa. Então, mediante os acontecimentos ligados às primeiras profecias, começou a aparecer comentários, mitos e mensagens que sacudiam o mundo, apontando o fim dos tempos. Quando o Papa João Paulo II foi atingido (13/05/1981), ele pediu a Congregação para a Doutrina da Fé que explicasse ao mundo católico sobre profecias e revelações, ensinando a compreender no âmbito da fé, fenômenos como os de Fátima.

            A explicação distingue a Revelação Pública da Revelação Privada: a Revelação pública – designa a ação reveladora de Deus, que se destina à humanidade inteira e está expressa literalmente nas duas partes da Bíblia – o Antigo e o Novo Testamento. Chama-se revelação, porque nela Deus Se foi dando a conhecer progressivamente aos homens, até ao ponto de Ele mesmo Se tornar homem, para atrair e reunir em Si próprio o mundo inteiro por meio do Filho encarnado, Jesus Cristo. Uma vez que Deus é um só, também a história que Ele vive com a humanidade é única, vale para todos os tempos e encontrou a sua plenitude com a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Por outras palavras, em Cristo Deus disse tudo de Si mesmo, e, portanto, a revelação ficou concluída com a realização do mistério de Cristo, expresso no Novo Testamento. O Catecismo da Igreja Católica, para explicar este caráter definitivo e pleno da revelação, cita o seguinte texto de S. João da Cruz: “Ao dar-nos, como nos deu, o seu Filho, que é a sua Palavra e não tem outra, Deus disse-nos tudo ao mesmo tempo e de uma só vez nesta Palavra única (…) porque o que antes disse parcialmente pelos profetas, revelou-o totalmente, dando-nos o Todo que é o seu Filho. E por isso, quem agora quisesse consultar a Deus ou pedir-Lhe alguma visão ou revelação, não só cometeria um disparate, mas faria agravo a Deus, por não pôr os olhos totalmente em Cristo e buscar fora d’Ele outra realidade ou novidade.” (Para aprofundamento. cic n. 66-67,94, Jo 16,12-14 , Dei Verbum, n. 8).

 A autoridade das revelações privadas é essencialmente diversa da única revelação pública: esta exige a nossa fé; de fato, nela, é o próprio Deus que nos fala por meio de palavras humanas e da mediação da comunidade viva da Igreja. A revelação privada é um auxílio para esta fé, e manifesta-se credível precisamente porque faz apelo à única revelação pública. Assim, o critério para medir a verdade e o valor duma revelação privada é a sua orientação para o próprio Cristo. Quando se afasta d’Ele, quando se torna autônoma ou até se faz passar por outro desígnio de salvação, melhor e mais importante que o Evangelho, então ela certamente não provém do Espírito Santo, que nos guia no âmbito do Evangelho e não fora dele.  O que efetivamente constitui o centro duma imagem só pode ser desvendado, em última análise, a partir do que é o centro absoluto da profecia cristã: o centro é o ponto onde a visão se torna apelo e indicação da vontade de Deus.

Por isso, há que considerar completamente extraviadas aquelas explicações fatalistas do segredo que dizem, por exemplo, que o autor do atentado de 13 de Maio de 1981 teria sido, em última análise, um instrumento do plano divino predisposto pela Providência e, por conseguinte, não poderia ter agido livremente, ou outras ideias semelhantes que por aí andam. A visão fala sobretudo de perigos e do caminho para salvar-se deles.

O papa João Paulo II, em 2000 ordenou que o Cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé,revelasse ao mundo sobre a 3ª Profecia, também denominada o Segredo de Fátima, o que foi feito em cadeia de televisão, a partir do Vaticano, para por fim aos desencontrados noticiários sobre o fim do mundo. Tratava-se apenas da premonição do atentado que o Papa sofrera 19 anos antes. Foi publicada a carta da Irmã Lucia na íntegra, inclusive com a fotocópia da mesma.  Deste modo, a visão da terceira parte do segredo, tão angustiante ao início, termina numa imagem de esperança: nenhum sofrimento é vão, e precisamente uma Igreja sofredora, uma Igreja dos mártires torna-se sinal indicador para o homem na sua busca de Deus. Quem estava à espera de impressionantes revelações apocalípticas sobre o fim do mundo ou sobre o futuro desenrolar da história, deve ter se desiludido.

Fátima não oferece tais satisfações à nossa curiosidade, como, aliás, a fé cristã em geral que não pretende nem pode ser alimento para a nossa curiosidade. O que permanece é a exortação à oração como caminho para a salvação das almas, e no mesmo sentido o apelo à penitência e à conversão.

Mas, desde que Deus passou a ter um coração humano e deste modo orientou a liberdade do homem para o bem, para Deus, a liberdade para o mal deixou de ter a última palavra. O que vale desde então, está expresso nesta frase: No mundo tereis aflições, mas tende confiança! Eu venci o mundo (Jo 16, 33). A mensagem de Fátima convida a confiar nesta promessa.

Fontes: (www.vatican.va/.../rc_con_cfaith_doc_20000626_message-fatima_po.ht...?)

 

Santíssima Trindade, um só Deus em três pessoas

Francelino Silva Junior

             Cremos que Deus é comunhão, e quando Ele nos diz para sermos seus imitadores significa que somos chamados a viver a comunhão que professamos no Credo.

Na relação de amor existente na Santíssima Trindade temos o Pai Criador, o Filho Redentor e o Espírito Santo Santificador. Entretanto todas as ações próprias de cada uma das pessoas da Santíssima Trindade são realizadas em perfeita comunhão com as outras duas.

A fé em Deus Uno e Trino não é uma invenção da Igreja, mas um mistério revelado pelo Senhor e vivido pelos cristãos desde os primórdios. Ainda que em alguns momentos no início da Igreja tenham surgido algumas controvérsias a respeito deste mistério, a Igreja reiteradamente confirmou essa verdade de fé, fundamentando-se nas Sagradas Escrituras e em Escritos de Inácio de Antioquia, Clemente Romano, Tertuliano, Teófilo de Antioquia, Hipólito e na observância da práxis batismal (veja-se “Didaquê” 7,1; Justino Mártir, “Apologia” 1, 61, 13) e eucarística (veja-se Justino Mártir, Apologia 1, 65.67 Hipólito de Roma, “Tradição Apostólica” 4-13).

Na Sagrada Escritura há várias momentos em que se mostra o mistério da Santíssima Trindade, e um dos mais textos mais explícitos está no Evangelho de São Mateus que nos diz “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28,19).

A Igreja sempre auxiliou os cristãos na vivência deste mistério, como na Profissão de Fé do Papa Dâmaso que diz: Deus é único, mas não solitário (Fides Damasi, DS 71). “Pai, Filho, Espírito Santo não são simplesmente nomes que designam modalidades do ser divino, pois são realmente distintos entre si: Aquele que é Pai não é o Filho, e aquele que é o Filho não é o Pai, nem o Espírito Santo é aquele que é o Pai ou o Filho (XI Conc. Toledo, em 675, DS 530). São distintos entre si por suas relações de origem: É o Pai que gera, o Filho que é gerado, o Espírito Santo que procede do Pai e do Filho (IV Conc. Latrão, e, 1215, DS 804). E o Catecismo da Igreja no nº 234 nos diz: O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé e a luz que os ilumina. É o ensinamento mais fundamental e essencial na “hierarquia das verdades da fé”. “Toda a história da salvação não é senão a história do caminho e dos meios pelos quais o Deus verdadeiro e único, Pai, Filho e Espírito Santo, Se revela, reconcilia consigo e Se une aos homens que se afastam do pecado”

Embora devamos nos esforçar para compreender este mistério, porque devemos colocar a razão a serviço da fé, como nos recomenda a Carta Encíclica “Fides et Ratio” (Fé e Razão) de São João Paulo II,  não nos é possível compreendermos plenamente a Santíssima Trindade, porque é um mistério divino, e Deus é infinito, ilimitado e a capacidade humana é limitada, porém pelas pistas, sinais e revelações que o Senhor nos faz, mesmo não compreendendo plenamente, devemos procurar imitar a Santíssima Trindade, porque já no início da Sagrada Escritura percebemos Deus comunhão e que nos quer semelhantes a Ele porque diz: Façamos o homem à  nossa imagem e semelhança"(Gn 1,26).

Fontes:

http://formacao.cancaonova.com/igreja/doutrina/santissima-trindade/

http://formacao.cancaonova.com/igreja/doutrina/santissima-trindade-misterio-de-comunhao/

http://www.catequisar.com.br/texto/materia/celebracoes/trindade/e_02.htm

http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_14091998_fides-et-ratio_po.html